segunda-feira, 15 de dezembro de 2014


Sentei-me defronte à janela, na esperança que, a noite acalmasse o meu espírito. Travei recentemente tantas batalhas silenciosas contra o sono, a insônia, e o medo de te perder para sempre que, - sem saber ao certo o que se passava – aguardava em silêncio a tua chegada para perscrutar o meu espírito com a paz da tua presença.
Felizes aqueles que vivem suas vidas sem preocupações. Que escolheram as suas abençoadas noites para fabricarem sonhos felizes, sem medos. Sem horrores desconhecidos. Sem vestígios de peso no seu peito por um terror ignoto. (A noite pode ser um simulacro esquecido e desumanizado sem as tuas palavras. Se queres que te diga a verdade; é uma noite perdida. Uma noite que não é noite. Uma noite que reina somente a miséria de estar acordado sobre a janela a olhar, em silêncio, para a lua que pousa sobre os meus olhos). Existem pessoas com sorte. Pessoas que dormem sobre a pureza calma e ténue da noite; no entanto, aqui estou eu, formando linhas ténues com os meus olhos e desenhando o teu sorriso nas estrelas da pachorrenta noite. Não consigo dormir, claro está.
A noite – digam-me se estou errado    talvez não foi feita para dormir, mas antes, para pensar. Contemplar mudamente as suas nuvens, as suas estrelas e a lua que ilumina a selva de pensamentos que florescem para um único sentido. E o meu único sentido nesta noite foi a tua presença que tarda. Como em todas as noites.
De silêncio.
Melancolia.
E cansaço.  

(Boa noite minha…)
 
 
 

segunda-feira, 24 de novembro de 2014


Sempre me encontrei nos teus lábios. É difícil dizer-te, mas ouve-me. É inteiramente verdade: sempre me encontrei nos teus lábios. Morava recolhido nos nossos famintos e rebeldes beijos. Abrigado sobre o teu sorriso e protegido pela leveza das tuas sussurrantes promessas que o horizonte esquecera.
É verdade! Encontrava-me neles. Amava-os! E sei quanto é errado amar os teus lábios. Aqueles carmesins e púrpura fios esticados onde mora todo o meu desejo. O meu pecado. A minha gula. A minha tentação. Amo-os. E mesmo que não acredites numa palavra que da minha boca é proferida, basta ofereceres-me novamente os teus lábios como uma complementaridade da nossa promessa. Do nosso sonho. Do nosso frágil e eterno abrigo de carícias. E acredita, irias – em cada beijo – ser capaz de encontrar o sentido que queima a nossa língua da saudade que é a nossa ausência.
Teus beijos são como memórias em que recrio o meu passado, vivo o presente e aguardo o futuro sobre o conforto de ter-te ao meu lado a aguardar, com suave paciência, a minha coragem que mora escondida no meu peito. O horizonte nos espera. A secreta imagem de uma felicidade oculta nos aguarda. Sinto-me desfeito em recordações. (Com receio de avançar. Mas não tenho medo.) Estás comigo, sempre o soube! Convém notar que, quando me sinto perdido, é em ti que me encontro. Encontro-me nos teus lábios que duram eternamente. Sempre encontrei-me neles. Tu não?
 
 
 

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Retrato

Não sei de onde provem
- tão fragilmente violento o sinto -
Este sentimento tão voraz
Que consome todas as minhas lágrimas salgadas
Que caiem sobre a escuridão da noite
Que ilumina o meu peito nu.

Quero encontrar em cada quadro.
Em cada letra dos meus livros.
Em cada palavra dos meus escritos.
Em cada sonho que construo com os teus lábios
Que se completam nos meus
A tua secreta imagem.

E encontro-te:
Perdida no medo que tu criaste.
Recolhida como uma pérola esquecida no fundo do mar.
- E abro o meu peito! -
Com ternura.
Com carinho.
(E deixo-te entrar.
E sussurro-te palavras.
Promessas.
Silêncios.
Agarro as tuas mãos para sempre.)

Entrego-me a ti
Neste sentimento tão oculto sobre o meu coração.
Como um poema escrito das lágrimas da saudade
Que na noite encontrou a sua protecção.

Toco em teu corpo
Com carícias que moram na minha saudade.
Beijo cada centímetro da tua pele presente
Para adormecer com o teu retrato eternamente.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Mãos

Recolho as tuas delicadas mãos
Com os meus beijos
Demorados
Calmos
Suaves
Sobre o horizonte que se fecha sobre a areia.
 
A melodia toca
Sobre o piano que esquecera da sua morada
Que é o teu coração
Entregue
- com toda a sua confiança cega –
À minha esperança sonhadora
Que encontro em cada toque das tuas mãos.
 
Por isso, recolho-as
Como promessas
Como amores-perfeitos.
E guardo-as
Para sempre
Em meus beijos.

 

sábado, 25 de outubro de 2014

Mistério

Translúcidas sensações do meu inconsciente,
Pueris sentimentos da minha alma.
Abrigo-me sobre a concha da tua mão
Encontrando assim abrigo para a minha solidão.
 
Curiosa sedução,
Que mora nos teus traços.
Assim meu corpo deseja
Os teus calorosos abraços.
 
(Não sei de onde surgiu
Este ciúme morto.
Ignóbil.
Abúlico.
Sento-me na borda
Das minhas palavras
 
Transformadas em veneno encarnado
Que adocicadas veneram a tua imagem.
Deserta.
Sozinha.
Numa prateleira esquecida.)
 
Desejo
- numa palavra de um louco –
Amar-te sem medida.
Beijar cada sorriso velado;
Cada traço das tuas ondulosas costas.
 
Amo
- e sei que não é suficiente amar-te –
O teu sorriso que esconde o mistério.
O mistério do teu corpo.


sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Sonho

Senta-te sobre este leito deserto,
Escutando as minhas palavras
Que moram no meu coração
Oferecidas a ti como frágeis nuvens da noite.
 
Dorme sobre o meu peito nu
Que estrelas encontrarás
Perdidas sobre a memória
Do teu carmesim sorriso.
 
Abraça-me na noite escura
Da tua fiel promessa.
Em que os beijos só conhecem
A doçura das línguas oferecidas.
 
Cria comigo sonhos no horizonte
Dos nossos corpos estendidos sobre a luz da noite
Escura.
Deserta.
Pura.
Imaculada.
Que oferece a este ninho
Ternuras internas perdidas no sabor dos lábios famintos.
 
(Ama-me.
Deseja-me.
- nem que seja por uma noite só –
Entrega-me a vida para poder viver.
Somente.
Unicamente.
Na felicidade da tua companhia.)
 
Teu corpo é horizonte longínquo
Do meu incógnito olhar.
Onde a certeza mora
De um amor a despertar.
 
 

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Beijo de boa-noite


Glorifiquei-te com as palavras!
Ofereci-te os meus versos sobre a noite pura
Do silêncio das estrelas do desejo.
 
Amei-te no infortúnio das nossas vidas
E na felicidade que surgia no teu olhar
Em cada noite,
Em cada instante,
Em cada abraço perdido na promessa do amor.
 
Oferecia-te sonhos,
Promessas.
Silêncios em que os beijos só conhecem o sabor do teu corpo.
Oferecia-te tudo que não podia oferecer!
(Para meu infortúnio e desgraça)
Cada um desenhava.
 
Uma promessa.
Um desejo.
Um sonho.
E terminaria.
(Nem que não bastasse!)
Somente.
Unicamente.
Num beijo perdido
No horizonte dos nossos lábios.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014


Quero escrever versos até que o sol poente do horizonte desenhe os teus lábios carmesins nas minhas letras. Encontrar, em cada vírgula, – sem que me desse conta – o teu sorriso que tanto desejo. Descobrir, em cada ponto, os teus olhos que tantas saudades fustigam no meu peito. Acabar no parágrafo de uma história que é só nossa. Contada sobre as memórias dos beijos tímidos, nos abraços apertados e na descoberta da felicidade que mora no toque da mão que se completa na outra. Queria – mais do que qualquer coisa – ter-te para sempre. Pintar com a minha memória a tua imagem eternamente e sonhar com a tua presença até que o dia encerre na solidão.
Eras tu. Só minha. A minha felicidade. O meu caminho. A minha descoberta. O meu carinho. A minha luz da vida. A minha viagem ao Céu. O teu encontro. O nosso encontro. A descoberta. O pecado da minha Alma. O fogo do meu coração. Os teus olhares ao encontro do meu. Os teus cabelos apoiados sobre o meu peito. O silêncio em que as palavras se esquecem sobre o sabor dos lábios rebeldes. As noites em que adormecia sobre a tua imagem reconfortante. Eras tu. Só minha. E eu. Só teu. Eramos. Somos. Seremos. Apenas – e somente – um só.
Prometo – e estaria a mentir se não te revelasse – amar-te sem reservas. Com loucura. Com ousadia. Com a mais singular e travessa doçura que mora na tua boca. E como não bastasse – se achares que é insuficiente – amo-te novamente. Cada dia. Com a deliciosa e imaculada ternura que te ofereço em cada palavra. Em cada verso. Em cada vírgula. Ponto. Parágrafo. Em cada tudo de nada. Amar-te-ei. Seria teu. Só tu. E tu minha. Só minha. Vivíamos na promessa que repousa no nosso coração.
A noite vai adiantada.
A solidão aparece.
A tua imagem surge como um poema incompleto.
Apenas falta a tua presença e tua decisão:
Terás coragem de partilhar a tua vida comigo?    
 
 

sexta-feira, 5 de setembro de 2014


A verdade não dói. Dói conseguir aceitar as suas consequências. Aceitar as suas culpas. Entender que estávamos no caminho errado, parar de caminhar e escolher o desafio que compromete mais riscos: obedecer a uma loucura de um caminho ignoto. Andar por calçadas desconhecidas, trocar os sorrisos com pessoas que jamais vimos, observar árvores que até então era impossível aos nossos olhos e celebrar o torpor do medo do desconhecido.
Na vida – como eu a entendo – era mais fácil viver sobre as réstias de uma ilusão esquecida. Sobreviver – nem que seja um bocado de nada – assente sobre um sonho que a nossa imaginação cria. A verdade mata, mutila, fere tudo o que um dia criamos na vã esperança que podemos ser felizes. No entanto, como essa felicidade é ilusória, um dia – sem que contemos com isso – vai ser corroída pela verdade. E a verdade não perdoa. Anda em bicos de pé, como um hábil assassino que espera pela vingança. Escondida. Expectante. Prudente. Sem escrúpulos. E engana-se todo aquele que diz que está preparado para aceitá-la.
Se pudesse – nem que fosse por breves momentos – nunca faria o que irei fazer. Continuava a viver nesta ilusão tão fácil. Neste caminho tão conhecido e conformista. Nesta felicidade corriqueira e criada pela imaginação. Tudo seria tão fácil. Tão suave. Tão humano. O que seria – parei eu para pensar – se continuasse assim eternamente?
Sacudindo do meu espírito aquilo que terá sido um sonho, tomei uma decisão. Uma decisão bem mais realista. Bem mais humana. Mas, por sinal, bem mais difícil. A verdade perscrutou o meu espírito. E é a verdade que viverei. Não estou habituado a viver sobre este espaço – parece que me falta o ar e que estou oprimido – mas, afinal, quem está habituado a viver a Verdade e a aceitar as suas consequências para ser feliz?
 
 
 
 

quinta-feira, 4 de setembro de 2014


Não sei como te amei. Surgiu, como um próprio acto de magia, uma leve acendalha no meu coração; uma leve brisa singular que tomou-me naquela sensação insuportável de um calor que consumia, como um furação, o meu peito seco e frágil. Desenhei os teus olhos cristalinos de tal maneira intensa que, na melancólica e pueril noite pura, era o teu olhar que via a iluminar o quarto escuro em vez da Lua corriqueira. Pintei com tal peculiar sensibilidade os teus lábios de seda finos que, a cada momento que os recordava, com mais ardor os desejava provar ou, quiçá, finalmente ver aquele sorriso tão sincero que reside no mais puro grau da beleza.  
Não sei como te amei. – Mas amei-te, ai se não te amei! – Tudo começou com frases parcas, olhares inocentes, sensações que, com o tempo, se foram revelando mais fortes que a cobardia. Era esta franqueza que eu amava! A tua mão. A tua mão macia e quente. A tua cabeça enrolada sobre o meu peito. As minhas mãos a desenhar castelos nos teus suaves cabelos. As promessas que ficavam gravadas no manuscrito dos nossos beijos. As palavras que foram caladas sobre o peso do silêncio dos nossos corpos. O desejo que fundiu-se num só. Duas existências que combinaram numa. Dois amores que ficaram num.
Não sei como te amei. – A verdade é que nunca amei ninguém -  E talvez seja errado ainda, neste momento tão longínquo do nosso encontro, amar-te. Todavia, no meu mais sincero desejo uma franqueza acompanha um pedido: nunca me deixes. É este o meu desejo. Preciso de ti. Preciso de agarrar a tua mão a cada noite que sinto a solidão a morar no meu peito. Preciso do teu sorriso tímido a cada nascer do dia. Preciso de ti para contar cada palavra que te ofereço. Preciso de ti para me amar. Preciso de ti para te amar. Preciso de ti para viver.
Não sei como te amei. Foi na mais profunda melancolia, na mais sincera convicção, na mais perfeita loucura do pecado. Amei-te. Amo-te. Amarei. Como uma promessa. Como um manuscrito. Como uma felicidade ingénua. Como um sonho escondido. Como um caprichoso pecado. És o meu pecado. Que dizes em pecarmos juntos? Aceitas esta promessa fugaz que é eterna?
 
 

segunda-feira, 14 de julho de 2014


Enquanto caminho, no escuro da imensidão da minha alma, sinto como um veneno que desconheço, a amargura dos meus lábios. Tento fugir da escuridão daquela noite, mas as pernas e o resto do corpo não aceita as minhas ordens. Ando, como um errante que não avança, perdido neste mundo. Vagueio. Apalpo no negrume que quero esquecer. Nada é eterno, como nada é esquecido.
Vejo umas casas, como um grande quadro desfeito em palavras que nunca foram pronunciadas, sobre o horizonte longínquo do meu olhar. Uma fina camada de nevoeiro abraça-me sobre as dúvidas que quero esquecer. Todos os meus esforços são inglórios. Todas as tentativas infrutíferas. Cada passo é uma decisão inata do Destino das coisas. Cada respiração é a maldição de uma ilusão esquecida sobre os escombros do meu ser. Nada sou mais do que cinza soprada pelo vento.
Esqueço-me.
Cada passada é mais lenta. Cada respirar mais pesado. O meu corpo, como uma bússola que não conhece o seu destino, vagueia sem rumo acreditando na ingenuidade da vida. Quando penso por onde caminho e quem sou dá-me a sensação que não passo, na medida do possível, de um espírito conturbado que vive na busca de algo que não conhece e na ilusão de uma alegria que nunca pode ter.
Sei que o cansaço é grande. Talvez nunca mais caminhe em toda a minha vida. Talvez nunca pense em nada nem ouse escrever as coisas mais inauditas aos ouvidos mais puros. Ao fim e ao cabo, nunca soube quem fui. Nem o quero saber. Acredito, se muito, na ingénua ideia que caminhar me pode levar a algum lado; nem que isso passe de uma Utopia.  

 

terça-feira, 17 de junho de 2014


Talvez um dia vás ler estas palavras e te recordas de tudo o que fiz por ti. Todas as promessas que tentei cumprir e que não ouvistes. Todos os silêncios que não compreendestes; e todos os olhares que te fazia. Porque quem tenta e não encontra resposta desiste da sua tentativa. E assim aconteceu.

Chamaste-me de sonhador. E sou de facto. Sou uma criança que se recusa a viver a realidade. Sou o louco que ama o Impossível. E o sonhador que só deseja brincar com a vida que encontro nos teus lábios. Sou este sonhador. Aquele sonhador. Mas, acima de tudo, sou o teu sonhador. Só teu. Porque sempre o fui.

A noite chega e com ela a vontade de te ter. Quero-te a meu lado. Serias minha, só minha, no aconchego dos corpos e o carinho do abraço. Aquele instante era só nosso. Nem que estivesses longe. Nem que não me amasses. Esta noite era só nossa. Eu oferecia-te os lábios quantas vezes o desejasses. Abraçava-te quantas vezes o pedisses. Amava-te até que o dia acabasse. E no final da noite sonhava contigo.

Recorda-te bem: Chamaste-me de sonhador. E sou de facto. Sempre o fui. Mas, acima de tudo, sou o teu sonhador. Só teu. Afinal, sempre vens passar a noite comigo?

 



quarta-feira, 21 de maio de 2014

Toquei nela como se ela fosse feita de sonhos e de filamentos de uma ilusão esquecida. O seu cabelo escuro perfumado tocava nos meus lábios secos enquanto lhe oferecia beijos lentos e apaixonados. Ela desenhava-me círculos imaginários e perdidos no meu peito. Eu sussurrava-lhe ao ouvido, entre os intervalos dos beijos, promessas sonhadoras que perdiam todo o significado naquele silêncio das palavras.
- Beija-me. – disse-me ela baixinho, a medo.
Coloquei-a sobre o meu corpo.
Abracei-a. Senti novamente o aroma do seu perfume suave a fugir das suas roupas. Olhei para os pequenos lábios finos, desenhados num carmesim suave, com um sorriso tímido e provocador.
A casa estava completamente silenciosa. Apenas estávamos nós os dois. Deitados na cama, desejosos de conhecer o sabor dos nossos corpos e o silêncio dos nossos lábios. O tempo fugia entre os dedos das nossas mãos famintas em conhecer cada linha ondulada das costas suadas de ambos.
Beijei-a.
Cada segundo fechou-se naquele sonho que tornou-se realidade. Esqueci-me de tudo e do tempo que passava lá fora e concentrei a poesia da doçura de um beijo. A prosa de um abraço. E a palavra do amor partilhado.
Nada melhor que isto.
Mandei foder tudo o resto que me incomodava.
E viva a poesia do beijo e o sabor do seu corpo!




quarta-feira, 14 de maio de 2014

Pior do que esquecer, é querer esquecer. E pior do que querer esquecer, é não conseguir esquecer. Porque o esquecimento é como uma memória longínqua ou um eco perdido. Retorna sempre à sua origem. Às vezes, preferia viver com amnésia. Porque nada se esquece, nem mesmo a dor e o sofrimento. Nada se esquece. Mesmo que a solidão seja a nossa companhia. Porque as memórias são como pesadelos de criança e a saudade nunca nos larga. Estamos condenados a viver com as memórias e a recordá-las para sempre. Nem que, por vezes, elas não signifiquem nada. Porque: Pior do que esquecer, é querer esquecer. E pior do que querer esquecer, é não conseguir esquecer.









terça-feira, 13 de maio de 2014



A morte nem sempre é uma partida. A morte nem sempre é algo que acontece inexplicavelmente. A morte nem sempre um acontecimento repentino que nada podemos fazer. A morte é a velhice das coisas. É isso. A morte acontece quando envelhecemos a cada dia. A morte é a recusa. A morte é o medo. A morte é a cobardia. A morte é a solidão. A morte é seguir o mesmo caminho todos os dias e ver o sol a nascer todas as manhãs. A morte é o desespero que sentimos ao acordar a correr nas veias porque tudo se tornou uma rotina. Isto é a morte. E a velhice.
Morremos cada vez que envelhecemos. E envelhecemos quando todos os dias não dizemos uma palavra a quem amamos, quando não quebramos as regras, quando não falamos com um desconhecido ou quando não cumprimentamos os nossos inimigos. Envelhecemos quando o medo apodera-se das nossas acções e não beijamos quem devíamos ou quando não dá-mos mais do que podemos às pessoas que o pedem. O pior da morte é isto: envelhecemos a cada dia e nada podemos fazer.
A morte nem sempre acontece no final da vida. Cada dia a morte toma conta do que somos e esmaga-nos como míseros seres frágeis. Todos os dias morremos sem que nos demos conta, mas para remediar esta situação penosa uma solução torna-se imperativa. Cada dia é único. Ame-o como quem ama com amor. Beije a vida com beijos doces e arrisque até onde a coragem permite. E a morte passará, como uma mera ilusão onde o medo desapareceu e o sonho surgiu. A morte nada mais é que uma ilusão. Onde outrora era medo agora é visto como um caminho novo. E ainda temos tanto para andar…







segunda-feira, 12 de maio de 2014


Sempre foi difícil esquecer-te. A cada momento recordo o teu sorriso perdido na ilusão, das palavras esquecidas na memória e das promessas ultrapassadas pelas mentiras. Na noite longa do silêncio, nos meus pensamentos, contemplo o céu tecido de estrelas e relembro-me de cada traço do teu rosto que eu antigamente desenhava com o meu olhar. Eras tu. Somente tu que eu desejava, mas tudo acabou naquela estupidez. Naquele silêncio. Naquela mentira.

Nunca saberei o sabor dos teus lábios. Se são secos. Se são salgados. Se são molhados. Nunca o saberei. Falhei em tudo e perdi todas as oportunidades para ser feliz. O meu pior erro sempre foi esse: não fui um homem feliz. Neguei tudo e desperdicei toda a sorte que tinha. Agora, tudo é passageiro e as pessoas supérfluas. Nada me contenta. Tudo parece demasiado distante. Vagueio sem rumo na certeza da minha estupidez. Nunca poderei ser amado. Este é o meu destino.
Não sei que horas são enquanto estas palavras são desenhadas na folha. Apenas as lágrimas solitárias escorregam sobre a minha face. Não as limpo. Seria um erro. Deixo que cada lágrima escreva o seu ponto no teu nome. Que sele na escuridão e que encerre na solidão da morte, porque tu para mim morreste; e esta é a minha ultima lágrima. E despedida.



quarta-feira, 23 de abril de 2014

Sinais do teu corpo


Sobre os teus fundamentos,
Eu me criei.
Reguei todas as ideias
Com as águas maduras
Que floriam dos teus lábios.
Assim criei,
E assim amei.
 
Foram essas;
As palavras da tardia promessa
Que morria no horizonte dos nossos beijos
Que me transformaram
Naquele olhar que te contempla.
 
Não resisti!
(Aqui me confesso).
Pela sedução maliciosa dos teus olhos,
A minha boca sorriu num convite em que as palavras esquecem.
 
Horas passei com os dedos no cabelo da tua ilusão,
Perdido no sabor do teu corpo.
Descobrindo a cada toque
A linha das tuas costas.
 
Foram estes sinais
Em que as palavras não existiram.
Onde me criei
Sobre o corpo que sempre amei.
 
 

segunda-feira, 14 de abril de 2014


Os meus pensamentos são como uma mágoa que quero esquecer; e mesmo que não os esqueça sinto-os perdidos para sempre numa ilusão. Esses meus pensamentos são semelhantes a um rio calmo na superfície onde no fundo os mais revoltosos mistérios carrega. Dispersos. Frenéticos. Remexidos. Calcados pela angústia de uma palavra. Bailam como estrelas na escuridão da minha alma. Como os quero esquecer, mas eles são como uma mágoa doentia que não me largam.
Os meus pensamentos são como raízes que nasceram antes de eu nascer e que agora recusam-se a abandonar o meu corpo. Todo o esforço é inglório. Toda a tentativa é fracassada. Tudo o que sou é um erro e todos os pensamentos são doentios. Se um dia souber como se apaga a memória, quero, sem hesitações, apagar tudo o que me constituiu. Esquecer tudo o que me forma. Sei que irei, com esta acção, apagar tudo o que formei e todas as coisas que conheci. Mas odeio todos os traços do meu corpo e preciso de mudar. Na vida, nada é perfeito. Desde cedo o soube.
 
 

sábado, 12 de abril de 2014

Somente tu


Só um sorriso bastaria,
Para apagar toda a dor que sinto.
E abafar todos os pensamentos
Que tenho nas longas noites.
 
Só uma palavra bastaria,
Para me seduzir por ti.
Como um louco ciumento,
Que agarradinho a ti estaria.
 
Só um olhar chegaria,
Para eu enamorar-me pelos teus cabelos.
E passar longas noites,
A desenhá-los com carícias.
 
Só um abraço chegava,
Para uma noite ficar completa.
Onde os sonhos repousariam,
No aconchego da mão de cada um.
 
Só tu chegarias,
Para esquecer que a noite existe.
E mesmo que não estivesses,
Só o teu corpo bastaria
Para me encher de uma sedução que no sonho me perderia.
 
 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Sedução Perigosa


Fala com um murmurar suave,
Com meros suspiros apenas.
Letras caladas,
Entre a insanidade dos meus pensamentos.
 
Tudo sonho,
Como uma névoa doentia de loucura.
Beija-me.
Oh, beija-me com tudo o que tens!
Possuo esse beijo.
Seduz-me com toda a tua beleza.
Essa mesma! Aquela que eu amo.
 
Oh doce perdição do meu desejo,
Que me enclausura numa estúpida dor.
A minha insanidade sempre desejou,
A morte bela da minha arte.
 
Tudo perdi,
Tudo esqueci,
E nada quero.
Apenas palavras caladas de uma morte prematura.
 
Assim contente ficaria,
A contemplar a beleza da escuridão do apagar dos olhos.
Onde um sonho me seduzia,
Para o torpor da minha inconsciência.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Quando caminho

Quando caminho;
Nada levo.   
Ofereço todo o meu silêncio
Ao canto das aves
E ao sussurrar dos rios.

Quando caminho;
Olho e pinto com o meu olhar,
As flores crisálidas pequenas
Que baloiçam ao vento
Na redescoberta da pura beleza.

Quando caminho;
Sento-me no rocha descansada
Em divagações que o vento leva,
Na ironia do sol esquecido.

Quando caminho;
Na natureza do silêncio respira
A leveza da proximidade de uma reconfortante ideia.
A ideia de uma redescoberta de um amor próximo.

Quando caminho;
Na beleza que  a Natureza oferece,
Um sol brilha no alto
Como o teu olhar que me aquece.


sexta-feira, 28 de março de 2014


Foi um beijo normal.

Todas as vezes que tinha estado com ela tentei dizer-lhe o quanto a amava, mas não consegui ou por medo, ou por cobardia. E, nesse dia, um dia tão normal como os outros, beijei-a sem pedir licença. Arranquei um beijo a toda a força. Senti os lábios encostados aos meus e aquele doce veneno da sedução a correr nas minhas veias.

Foi um beijo normal.

Como qualquer outro. E mesmo que não fosse, beijava-a novamente só para me certificar que o beijo tinha sido um beijo normalíssimo. Foi naquele dia. Foi ontem. Ou hoje. Ou quem sabe amanhã. Fui passear com ela. Falamos de tantas coisas que nas entrelinhas eu só dizia: «beija-me». E foi na despedida. Puxei-a para mim e beijei-a.

Foi um beijo normal.

E mesmo que não fosse, dava-lhe outro beijo.
 
 

quinta-feira, 27 de março de 2014


É curioso como as pessoas mudam com o medo. Fogem. São estúpidas. Imbecis. Tem medo do medo de perder com o medo. Formam camadas de desconfiança porque no passado sofreram ou por medo ou por ignorância, ou porque motivos de pessoas que a iludiram em algo que nunca foi verdade. É isso. Um medo por experiências negativas de um passado que estava condenado. Não agimos agora porque temos medo que o presente e o futuro tenha os mesmos contornos que o passado tivera.
As pessoas são feitas de máscaras. Usam-nas com o medo que o seu «eu» sádico e psicótico seja descoberto. Somos todos loucos, por isso, ocultamos a todo o custa entre inúmeras máscaras, para, numa hipocrisia forçada, o que não queremos mostrar. Somos loucos. A questão é saber como utilizamos a nossa loucura.
Somos loucos e temos medo. O medo toma conta dos nossos gestos, das nossas atitudes, de tudo. Ficamos presos num colete de forças bordado e feito pelo medo de tudo. Mas todas as vezes que deixamos esse medo dominar o nosso ser, todas as vezes que não ousamos algo novo, amar algo novo, morremos e envelhecemos cada dia no medo de perder algo que perdemos porque temos medo de o perder.
Quer algo? Faça. Mesmo que o medo impeça. Nunca se sabe a porta que vamos encontrar. Cada gesto pode ser o último. Tenha um minuto de loucura, pois cada pedaço de loucura imperfeita formam uma felicidade perfeita.  



Lembro-me dos seus cabelos escuros  a voar enquanto o vento soprava ligeiro sobre um sol seco que ardia nos nossos braços. No entanto, continuávamos abraçados um no outro com um medo que nos perdêssemos, ou que eu ou ela nunca mais nos víssemos. Eu passeava com os dedos nas linhas dos seus cabelos a desenhar todo o carinho que sentia por ela. Ela fazia carícias na minha face e nos meus lábios secos e sorria.
-  Amas-me? – perguntou ela ao meu ouvido.
Abracei-a com mais força. Notei uma lágrima em seus olhos. Deixei-a chorar. Não sabia porque motivo, mas deixei-a chorar. De seguida, limpei com os meus dedos a lágrima solitária que fugia na sua face.
- Porque choras? – perguntei eu.
- É este silêncio… este… não me dizes nada… o que significa isto tudo?... de… de que tens medo?  - ficou em silêncio. Não chorava, mas eu sabia que no seu silêncio, lágrimas incorpóreas formavam no seu coração despedaçado.
Ficamos os dois em silêncio.
Eu não sabia o que responder. Ela tinha razão: «eu tinha medo». Qualquer compromisso demonstrava-se um bicho de sete cabeças. Eu amava-a. Só que tinha medo de lhe dizer. Talvez a minha atitude se demonstre um pouco infantil e estúpida. Mas era um facto, eu tinha medo. Tinha medo do fracasso, da traição, que o amor morresse. Tinha acima de tudo medo que ela não me amasse. Tinha medo.
- Queria dizer tantas coisas. Tantas palavras….
Ficamos novamente em silêncio.
Beijou-me.
- Eu amo-te, entendes? – revelou-me ela.
No silêncio, o meu coração batia como uma bomba relógio, olhava para os seus lábios finos que mais pareciam desenhados suavemente num carmesim ligeiro. Sorri nervosamente. Ela olhava-me.
- Estás à espera de quê?
Beijei-a. O medo não podia acobardar-me de amar quem mais eu queria. Ela merecia uma resposta. E teve-a.
- Amo-te também.
Beijei-a novamente.
 
 

domingo, 23 de março de 2014


Foram as lágrimas que me acompanharam esta noite solitária. As lágrimas e uma tristeza que apertava o meu coração de dor e saudade, só porque soube que nunca te poderia ter. Nunca foste minha. Perdi-te. Deixei-te. Sonhei. Mas nada passou disso; de um sonho. Agora, apenas, resta-me memórias na minha cabeça e lágrimas nos meus olhos.
Aquelas lágrimas que não param apesar de eu querer para sempre te esquecer. Deitado estou a contemplar a noite e a chorar com saudades tuas. São umas saudades estúpidas e sem sentido, porque nunca serão retribuídas. Não me amas. Não me queres. Tudo foi um erro eu amar-te. Sempre o soube. O meu coração é que sempre te deseja. E agora sofre porque a verdade foi novamente revelada.
E mais lágrimas. Correm. Escorregam. Deslizam pela minha face à procura da tua. Queria dizer-te tantas coisas. Tantos pensamentos eu tenho enrolados no meu peito! Porque motivo amo sempre as pessoas erradas? E com isto mais lágrimas surgem nos meus olhos. A cada segundo que passa e que eu penso em ti, uma lágrima desaparece no chão do meu quarto.
Choro tudo. Fico horas a pensar em ti e porque razão não te posso ter. A culpa nunca foi tua. Foi minha. E, antes que a última lágrima desapareça no esquecimento, sei o motivo porque nunca te poderei ter. Apenas porque ninguém pode amar um erro como eu. 

Uma lágrima caí. E a última.
 
 

 

terça-feira, 18 de março de 2014


Nunca chorei. Apenas desperdicei lágrimas por vontades que se mostraram supérfluas de desejos que morreram na cinza dos escombros que não existem. O problema de chorar é que não sabemos porque razão lógica choramos. Choramos. Deitamos lágrimas e tudo o que é mais insignificante da nossa vida. Choramos porque desejamos e queremos tudo o que um dia construímos fundado numa ilusão irresponsável.
Odeio tudo o que me tornei e tudo o que construi de um simulacro doentio. Detesto cada palavra que pronuncio sobre a ruína do desespero. Já não luto. Perdi toda a consciência que outrora tinha sobre a minha pessoa. Sorrio, numa hipocrisia forçada, para as pessoas que passam por mim. Tudo é uma mentira de um terror idiota. Não. Não gosto de companhia. A tristeza alegre e monótona de estar sozinho reduz-me a uma insignificância tão profunda que tampouco quero-a deixar.
É isto. O mundo, todo ele, é feito de dor. É o; porque não sabemos realmente nada. Desconhecemos tudo e até a morte absurda é uma incógnita que abafa a nossa razão com sentimentos monstruosos. Contudo, isto não me abala. Já passei por mortes que não me disseram nada. Conheci vidas que repugno a sua existência.  E após isto, acabei por retirar a máscara que me cobria. Arranquei-a de vez e atirei-a para as ilusões já mortas da esperança. Não chorei. Nunca o faço. Apenas desperdicei lágrimas em honra da vida e da ânsia de viver. Nem que isto implique uma representação forçada. Talvez a vida seja isto. Quem o sabe?